Reduzir a surdez a uma deficiência auditiva é o que a literatura chama de visão clínico-terapêutica: o foco recai na falta e na tentativa de correção.
A visão socioantropológica parte de outro ponto: a comunidade surda tem língua própria, história, produções artísticas e formas específicas de organizar a experiência, majoritariamente visuais. Nessa perspectiva, a surdez é diferença, não defeito.
A literatura surda inclui poesia em sinais, narrativas visuais e piadas que só funcionam em Libras — sinal de uma língua plenamente viva.
Para quem vai atuar em sala de aula, essa distinção tem efeito prático: a educação bilíngue parte da Libras como primeira língua e do português escrito como segunda, e não do esforço de fazer o estudante surdo imitar o ouvinte.
