Formação de Brasília e organização do território do DF
Uma ideia de mais de dois séculos
A transferência da capital para o interior não nasceu com Juscelino Kubitschek. A proposta aparece entre os inconfidentes mineiros no fim do século XVIII, é defendida por José Bonifácio no período da Independência, que chegou a sugerir o nome Brasília, e entra formalmente na Constituição de 1891, que reservou uma área no Planalto Central para a futura capital federal.
Missão Cruls
Entre 1892 e 1894, a Comissão Exploradora do Planalto Central, chefiada pelo astrônomo belga Luís Cruls, percorreu a região levantando dados de clima, relevo, hidrografia, flora e fauna. O resultado foi a demarcação do chamado Quadrilátero Cruls, área de cerca de 14 mil quilômetros quadrados que serviria de base para a escolha definitiva.
Décadas depois vieram novos estudos técnicos, incluindo o relatório que indicou o sítio Castanho como local mais adequado.
A construção
Com o Plano de Metas e o lema de cinquenta anos em cinco, Juscelino Kubitschek assumiu a construção como meta-síntese. Foi criada a Novacap para tocar a obra.
O concurso do Plano Piloto, em 1957, foi vencido por Lúcio Costa. A arquitetura dos edifícios monumentais coube a Oscar Niemeyer, e o paisagismo a Roberto Burle Marx. A inauguração ocorreu em 21 de abril de 1960.
A obra foi erguida por trabalhadores vindos de todo o país, sobretudo do Nordeste e de Minas Gerais, os candangos. Muitos permaneceram e formaram os primeiros núcleos fora do Plano Piloto, o que ajuda a explicar a organização atual do território.
As quatro escalas do Plano Piloto
Lúcio Costa organizou a cidade em quatro escalas, tema muito cobrado:
- 1Monumental: o Eixo Monumental, os poderes da República, a expressão simbólica da capital.
- 2Residencial: as superquadras, com blocos sobre pilotis, gabarito baixo e áreas verdes entre eles.
- 3Gregária: o centro de encontro e comércio, na área das rodoviárias e setores centrais.
- 4Bucólica: os espaços livres e verdes que envolvem as demais escalas e dão à cidade caráter de parque.
Em 1987 o conjunto urbanístico de Brasília foi inscrito na lista de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, sendo o primeiro bem moderno a receber esse reconhecimento.
Organização político-administrativa
O Distrito Federal é único na federação. Não se divide em municípios, não pode ser dividido, e seu governo acumula competências estaduais e municipais. É administrado por um governador, com Câmara Legislativa, e organizado em regiões administrativas, criadas por lei, cada uma com um administrador nomeado.
A RIDE, região integrada de desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno, articula o DF a municípios de Goiás e de Minas Gerais. Ela existe porque a dinâmica real ultrapassa o limite do quadrilátero: milhares de pessoas moram no Entorno e trabalham ou estudam no DF, gerando intenso movimento pendular diário e pressão sobre serviços públicos.
Como a banca cobra
Atribuir o Plano Piloto a Niemeyer e a arquitetura a Lúcio Costa, inverter a data de inauguração, afirmar que o DF se divide em municípios, e confundir região administrativa com município.
Resumo em 5 pontos
- 1A mudança da capital é ideia antiga, prevista na Constituição de 1891.
- 2A Missão Cruls demarcou o Quadrilátero no fim do século XIX.
- 3Lúcio Costa desenhou o Plano Piloto; Niemeyer projetou a arquitetura; Burle Marx, o paisagismo.
- 4As escalas são monumental, residencial, gregária e bucólica.
- 5O DF tem regiões administrativas, não municípios, e integra a RIDE.
A barrinha no topo mostra o quanto você já leu.
O que você vai aprender
- Reconstituir a história da interiorização da capital
- Explicar as quatro escalas do Plano Piloto
- Compreender RAs, RIDE e a natureza jurídica do DF