Urbanização brasileira e rede urbana
Tardia, rápida e concentrada
Três adjetivos resumem a urbanização brasileira e costumam aparecer quase com essas palavras nas provas. Tardia, porque começou de fato no século XX, muito depois da europeia. Rápida, porque em cerca de quarenta anos o país deixou de ser majoritariamente rural. Concentrada, porque se organizou em torno de poucas grandes metrópoles, sobretudo no Sudeste.
Hoje mais de 84% da população brasileira vive em cidades.
Por que aconteceu desse jeito
A industrialização por substituição de importações concentrou empregos nas cidades. Ao mesmo tempo, a mecanização do campo e a estrutura fundiária concentrada expulsaram trabalhadores rurais. O resultado foi um fluxo migratório muito maior do que a capacidade das cidades de oferecer moradia, saneamento e transporte.
Consequências urbanas
- Metropolização: crescimento das grandes cidades e formação de regiões metropolitanas.
- Periferização: a população de menor renda ocupa as bordas, longe do emprego.
- Favelização e ocupações irregulares, muitas vezes em áreas de risco ou de proteção ambiental.
- Déficit de saneamento e de mobilidade, com longos deslocamentos diários.
- Segregação socioespacial, a separação das classes no território, tema clássico em Milton Santos e em Ana Fani Alessandri Carlos.
Nada disso é destino. Cidades brasileiras que investiram em transporte coletivo, regularização fundiária e habitação bem localizada mostraram que o quadro pode mudar, e esse é um bom contraponto para discutir em sala.
Conceitos de rede urbana
Sítio urbano é o terreno onde a cidade se assenta; posição ou situação urbana é a localização relativa em relação a rotas e outras cidades. A hierarquia urbana organiza os centros conforme a influência que exercem, e o estudo REGIC, do IBGE, é a referência brasileira, classificando as cidades de metrópole nacional até centro local.
Outros termos cobrados: aglomeração urbana, conurbação, que é a fusão da mancha urbana de municípios vizinhos, megalópole, região metropolitana, cidades médias, que hoje crescem mais que as metrópoles, e macrocefalia urbana, o crescimento desproporcional de uma cidade em relação à sua infraestrutura.
Vale lembrar os modelos clássicos de estrutura urbana, como o de zonas concêntricas, o de setores e o de núcleos múltiplos, além da teoria dos lugares centrais, de Christaller, que a banca costuma mencionar pelo nome.
Estatuto da Cidade
A Lei 10.257 de 2001 regulamenta a política urbana e é conteúdo recorrente. Pontos essenciais:
- 1Função social da propriedade urbana como princípio orientador.
- 2Plano diretor obrigatório para municípios com mais de vinte mil habitantes, entre outras situações.
- 3IPTU progressivo no tempo para imóveis urbanos subutilizados.
- 4Usucapião especial de imóvel urbano e outros instrumentos de regularização fundiária.
- 5Gestão democrática da cidade, com audiências e participação popular.
O caso do Distrito Federal
O DF é uma exceção interessante à regra brasileira, porque nasceu planejado e ainda assim reproduziu segregação. A população de menor renda foi assentada em núcleos distantes do Plano Piloto, hoje regiões administrativas, e o crescimento se estendeu para os municípios goianos do entorno. O resultado é uma metrópole com forte movimento pendular diário, organizada pela RIDE.
Como a banca cobra
Trocar conurbação por região metropolitana, tratar o Estatuto da Cidade como norma apenas urbanística sem função social, e afirmar que as metrópoles seguem crescendo mais que as cidades médias, o que já não corresponde à tendência recente.
Resumo em 5 pontos
- 1A urbanização brasileira foi tardia, rápida e concentrada.
- 2Êxodo rural e industrialização concentrada explicam o processo.
- 3Segregação socioespacial e periferização são efeitos centrais.
- 4O REGIC define a hierarquia da rede urbana brasileira.
- 5O Estatuto da Cidade traz plano diretor, IPTU progressivo e função social da propriedade.
A barrinha no topo mostra o quanto você já leu.
O que você vai aprender
- Explicar as marcas da urbanização brasileira
- Dominar hierarquia e rede urbana
- Aplicar os instrumentos do Estatuto da Cidade