Escala, projeções e linguagem cartográfica
A linguagem própria da Geografia
O mapa é o texto da Geografia. Saber lê-lo é condição para responder questões de qualquer outro módulo, porque muitas perguntas de clima, população ou economia chegam em forma de mapa, gráfico ou perfil topográfico.
Escala
Escala é a razão entre a distância no mapa e a distância real. Duas regras resolvem quase tudo.
Primeira: quanto maior o denominador, menor a escala e menor o detalhe. Um mapa 1:1.000.000 é de escala pequena e mostra grandes áreas com pouco detalhe. Um mapa 1:10.000 é de escala grande e mostra área pequena com muito detalhe.
Segunda: para converter, basta lembrar que o denominador está em centímetros. Em 1:250.000, cada centímetro no papel equivale a 250.000 centímetros no terreno, ou seja, 2,5 quilômetros. Se dois pontos estão a 6 cm no mapa, a distância real é de 15 km.
Existe ainda a escala gráfica, aquela reguinha impressa no mapa, que tem uma vantagem prática: continua correta mesmo depois de o mapa ser ampliado ou reduzido.
Projeções cartográficas
Nenhuma projeção é perfeita, porque não se transforma uma superfície esférica em plana sem deformar alguma coisa. O que muda é o que cada uma escolhe preservar.
- Cilíndrica de Mercator: conforme, preserva ângulos e formas, o que a torna útil para navegação. Em compensação exagera as áreas em altas latitudes, e por isso a Groenlândia parece maior do que a África.
- Projeção de Peters: equivalente, preserva as proporções de área e distorce as formas. Ficou conhecida como uma representação mais justa para os países tropicais.
- Azimutal ou plana: preserva as direções a partir de um ponto central, muito usada para regiões polares e para mapas de rotas.
- Cônica: ajusta-se bem às latitudes médias, comum em mapas de países e continentes.
Coordenadas, fusos e representação do relevo
Latitude é a distância angular em relação ao Equador, de 0 a 90 graus, norte ou sul. Longitude é medida a partir do meridiano de Greenwich, de 0 a 180 graus, leste ou oeste. Como a Terra gira 15 graus por hora, cada fuso corresponde a 15 graus de longitude, e o Brasil abrange mais de um fuso.
O relevo é representado por curvas de nível, linhas que unem pontos de mesma altitude. Curvas muito próximas indicam terreno íngreme; curvas espaçadas indicam terreno suave. A partir delas se constrói o perfil topográfico, exercício frequente em prova.
Outras representações
Mapas temáticos mostram a distribuição de um fenômeno, por coropletas, símbolos proporcionais ou pontos. Cartogramas e anamorfoses deformam propositalmente o território para representar uma variável, como população ou PIB. Croquis são esboços úteis em sala de aula. Já o sensoriamento remoto, os sistemas de informação geográfica e o GPS formam o conjunto de geotecnologias que a banca costuma cobrar em conceito: imagem de satélite, resolução espacial, camadas de informação e georreferenciamento.
Como a banca cobra
Três tipos de questão se repetem: cálculo de escala e distância real, identificação da projeção pela propriedade preservada, e leitura de mapa temático com interpretação de legenda. Uma pegadinha clássica é dizer que a projeção de Mercator preserva áreas, quando ela preserva ângulos.
Resumo em 5 pontos
- 1Denominador maior significa escala menor e menos detalhe.
- 2Escala gráfica sobrevive à ampliação e à redução do mapa.
- 3Mercator preserva ângulos; Peters preserva áreas; azimutal preserva direções.
- 4Curvas de nível próximas indicam declividade acentuada.
- 5Geotecnologias são conteúdo de prova, não apenas ferramenta.
A barrinha no topo mostra o quanto você já leu.
O que você vai aprender
- Calcular e converter escalas
- Identificar projeções e suas deformações
- Ler mapas temáticos e curvas de nível